04 setembro 2011

Estio


As linhas seguem o fio inseguro da ingénua água, tudo o que se conquista é sossego.

20 julho 2011

Além




do Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro

(...)

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos

Ser poeta não é uma ambição minha.

É a minha maneira de estar sozinho.

(...)

Quando me sento a escrever versos

Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,

Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,

Sinto um cajado nas mãos

E vejo um recorte de mim

No cimo dum outeiro

(...)

19 maio 2011

Breve tempo de abraço






Mais um Maio para guardar fechado, para inverter tendências de clivagens antigas. Cada vez mais no centro do remoinho, do pujinho de vento primaveril.
E sem nada mais que um botão de disparo...

17 abril 2011

Identidade



Identidade

Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga, in ´Penas do Purgatório´

16 abril 2011

subterra


remetido ao começo da deferência prisioneira, onde nada se faz diferente da coisa inteira.

03 janeiro 2011

Liberdade


quando a vontade nega o prazer
se a lágrima rompe sem querer
depois não há fuga para terra incerta
porque fica a porta sempre aberta