20 fevereiro 2014

Ausência


Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto

17 fevereiro 2014

Relay

Nova expectativa.

Podar para renovar e ter alma de primeira vez!
E voar nas asas dos morcegos...

16 fevereiro 2014

Já houve outros dias de sol

e de sal
de tempo breve
onde o sonho é sempre igual
numa realidade leve
mais que aquilo que vês
sem contar até 3
nem ser isco no anzol

04 setembro 2011

Estio


As linhas seguem o fio inseguro da ingénua água, tudo o que se conquista é sossego.

20 julho 2011

Além




do Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro

(...)

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos

Ser poeta não é uma ambição minha.

É a minha maneira de estar sozinho.

(...)

Quando me sento a escrever versos

Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,

Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,

Sinto um cajado nas mãos

E vejo um recorte de mim

No cimo dum outeiro

(...)

19 maio 2011

Breve tempo de abraço






Mais um Maio para guardar fechado, para inverter tendências de clivagens antigas. Cada vez mais no centro do remoinho, do pujinho de vento primaveril.
E sem nada mais que um botão de disparo...

17 abril 2011

Identidade



Identidade

Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga, in ´Penas do Purgatório´

16 abril 2011

subterra


remetido ao começo da deferência prisioneira, onde nada se faz diferente da coisa inteira.

subterra


remetido ao começo da deferência prisioneira, onde nada se faz diferente da coisa inteira.

03 janeiro 2011

Liberdade


quando a vontade nega o prazer
se a lágrima rompe sem querer
depois não há fuga para terra incerta
porque fica a porta sempre aberta

03 junho 2010

Amanhecer com aroma de Verão

Lá para o S. João espero que a passarada deixe alguns para provar

Descanso, pois claro

Aí nascem as romãs

Este ano foram melhores as ervilhas que as favas.

Maio com outras variações