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20 fevereiro 2014

Ausência


Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto

16 fevereiro 2014

Já houve outros dias de sol

e de sal
de tempo breve
onde o sonho é sempre igual
numa realidade leve
mais que aquilo que vês
sem contar até 3
nem ser isco no anzol

03 janeiro 2011

Liberdade


quando a vontade nega o prazer
se a lágrima rompe sem querer
depois não há fuga para terra incerta
porque fica a porta sempre aberta

10 fevereiro 2010

Culturas de Inverno

Só para a posteridade - darão lugar a outras culturas

A meio do quartel

Semente velha e seleccionada

Laranja amarga


Sem abono, adubo, atenção, mais dedicação e tanta falta de predicados, mas lá vai dando para lavar a vista e encher a alma.




17 dezembro 2009

Fim de Outono

Aproxima-se o Inverno. Não tão exacto como antigamente ( até parece que já sou idoso ).
Já comecei a prepara a terra para o faval do costume. Este ano - no próximo - vou semear mais tarde. Costumo semear em Dezembro mas desta vez vou tentar Janeiro.


Quando havia por aqui mais árvores - nespereiras e laranjeiras - que morreram por falta de água, nesta terra muito porosa, quando se cavava a terra, era costume encontrar-se uns bicharocos brancos chamados de pão-de-galo, que eram bastante maiores do que os encontrados
agora, talvez por causa das raízes em decomposição.


E como é costume nesta época, a geada fez a sua aparição. A erva resiste melhor que certas culturas. Mas também acaba com muitos parasitas.








E como é diferente o frio no Alentejo. Especialmente dentro de casa, mas como está fechada grande parte do ano justifica-se. É um frio mais seco, que causa falta de hidratação na pele. Quanto ao resto, ar puro, luz e cores equilibram a diferença e mal-estar nocturno.

16 fevereiro 2009

Fases diversas

Respingos da Primavera
O sol aquece

A água corre limpa e fresca


Renovação silvestre



Obra da geada e do vento





03 março 2008

Passagem para o incerto

Sábado, 1 de Março marçagão, já que a manhã foi de nevoeiro.... esgotante.




















O Sol na beira do rio.






















Uma oliveira com lifting.


E, para acabar, o dourado precoce de final de Inverno,

onde só as vacas de lingua comprida tentam encher a barriga.








28 fevereiro 2008

Sentado à beira do caminho

Numa viagem pelo fugaz infinito, colocando balizas para reconhecer o caminho de volta, encontro uma inesquecível ilusão de coisas criadas com paixão.
Mas são apenas sombras. Deixadas pela passagem do tempo ingrato, que apenas passa, não se aquieta. Corro atrás, grito baixinho. Mas ele é surdo, mudo, imutável e pesado. Eu sou apenas erva daninha sem jardim para infestar.
Sento-me. No alto da paisagem plana. E o céu azul diz-me que é hora de partir. Mas eu fico. A noite quer aniquilar a luz. Mas as estrelas e o quarto-minguante derrubam a estratégia pobre.
Respiro fundo. E o sangue agradece a amizade.